• Por AlohaCriticón

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Cecilia Meireles

Cecilia Meireles fue una de las grandes escritoras brasileñas. Su poesía se incluye dentro de la corriente modernista con unos primeros pasos de orientación mística.

La obra de Meirelles, de corte nostálgico y melancólico, resulta delicada y su simplicidad se manifiesta bella, intimista, pura, sensible, con versos cortos y ritmo lleno de musicalidad.

Estos son varios ejemplos de su arte:

Até quando terás, minha alma, esta doçura

Até quando terás, minha alma, esta doçura,

este dom de sofrer, este poder de amar,

a força de estar sempre – insegura – segura

como a flecha que segue a trajetória obscura,

fiel ao seu movimento, exata em seu lugar…?

Lua adversa

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua…

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua…)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua…

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu…

Mar Absoluto

Foi desde sempre o mar,

E multidões passadas me empurravam

como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam

da revolta dos ventos,

de linhos, de cordas, de ferros,

de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído

pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,

e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,

sou eu que devo ir.

Porque não há ninguém,

tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.

Tenho de levar-lhes redes de rezas,

campos convertidos em velas,

barcas sobrenaturais

com peixes mensageiros

e cantos náuticos.

E fico tonta.

acordada de repente nas praias tumultuosas.

E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.

“Para adiante! Pelo mar largo!

Livrando o corpo da lição da areia!

Ao mar! – Disciplina humana para a empresa da vida!”

Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.

A solidez da terra, monótona,

parece-mos fraca ilusão.

Queremos a ilusão grande do mar,

multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,

uma solidão para todos os lados,

uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,

e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,

que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,

matando-se e recuperando-se,

correndo como um touro azul por sua própria sombra,

e arremetendo com bravura contra ninguém,

e sendo depois a pura sombra de si mesmo,

por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,

ele que, ao mesmo tempo,

é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:

seu corpo é o seu próprio jogo,

e sua eternidade lúdica

não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:

cavalo, épico, anêmona suave,

entrega-se todos, despreza ritmo

jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,

cego, nu, dono apenas de si,

da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:

água de todas as possibilidades,

mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.

Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,

e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,

nem por dentro de si:

mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.

Não me quer arrastar como meus tios outrora,

nem lentamente conduzida.

como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:

plástica, fluida, disponível,

igual a ele, em constante solilóquio,

sem exigências de princípio e fim,

desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,

por procurar gente passada,

suspeito que me enganei,

que há outras ordens, que não foram ouvidas;

que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,

e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,

mas outro, que se parece com ele

como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.

E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,

e encontro tudo sobre-humano.

E este mar visível levanta para mim

uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.

E é logo uma pequena concha fervilhante,

nódoa líquida e instável,

célula azul sumindo-se

no reino de um outro mar:

ah! do Mar Absoluto.

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